Chanel 

Sinônimo de uma moda atemporal e do bom gosto

Coco Chanel não estava apenas à frente de seu tempo, Coco Chanel estava à frente de si mesma. Transformou se em um ícone imortal, sinônimo de uma moda atemporal, do bom gosto e da sofisticação de forma minimalista, sem extravagâncias, numa visão de luxo da cultura e da sofisticação.

Assim pode-se definir ou traçar um leve perfil daquela estilista francesa, que representa algo muito além um ícone de uma elegância eternamente impactante em tudo que se refere às suas criações e, igualmente sua vida íntima.

A sofisticação e o luxo que sua marca ainda representa contrastam com a origem extremamente simples de Gabrielle Bonheur Chanel, menina pobre nascida em 19 de agosto de 1883 na cidade de Saumur ,França. Após perder a mãe aos seis anos, Gabrielle viveu em cenário de enorme pobreza junto aos quatro irmãos. No período entre 1905 e 1908 adotou o nome artístico de Coco. Chanel teve experiência curtíssima na carreira de cantora de café-concerto uma música cujo refrão era esta antiga gíria, “Coco” (queridinha”), daí ter adotado artisticamente este nome.

Aos 16 anos de idade, Chanel desembarcou na Paris da Belle Époque, e logo se relacionou com um milionário criador de cavalos, Etienne Balsam, de quem tornou-se amante. Em 1910 teve sua primeira incursão no mundo da moda, inaugurando a sua primeira loja com seu nome “Chanel”, porém financiada pelo empresário inglês Bob Capel, na época namorado de Chanel. Assim nasceu um marco que mudaria definitivamente a história da moda no século XX. Já em 1916, Chanel introduziu na alta-costura o jérsei de malha, os trajes de tecidos xadrez e a moda escocesa, com blusas de malha fina, as calças boca-de-sino, as jaquetas curtas e os casacos cruzados na frente e cinturados em estilo militar.
O nome Chanel na década de 1920 já se associava a uma jovem designer influente que causava alvoroço ao desenhar roupas confortáveis para as mulheres introduzindo no universo feminino peças de vestiário antes pertencentes ao guarda-roupa masculino, além introduzir o uso de saias mais curtas, quebrando com  a silhueta feminina rígida da época, ainda marcada pelo estilo do século XIX.

O consagrado perfume Chanel n° 5, "Um perfume de mulher com cheiro de mulher" foi lançado em 1922, e se tornou seu primeiro produto Cult. Este perfume a tornou milionária, sendo hoje um dos ícones da cultura do século XX. O mesmo pode-se dizer do design de seu frasco, no melhor estilo art déco, tão icônico que foi incorporado à coleção permanente do Museu de Arte Moderna de Nova York em 1959. Mesmo a escolha do número 5 já é uma lenda por si mesma, afinal nunca houve outro perfume com os números 1, 2, 3 e 4, a explicação era de que o cinco era o número da sorte de Chanel. E deve dar muita sorte mesmo, o Chanel nº 5 é o perfume mais vendido do mundo até hoje.

Para a noite, Chanel criou vestidos em negro metálico, vermelho escarlate ou bege. Laços e paetês eram os únicos enfeites e não impediam que as mulheres se movimentassem com rapidez, ágeis como pedia a estética de um século onde tudo se tornava automatizado, rápido e motorizado. Veio então sua contribuição imortal: O vestido negro, simples, com gola e mangas largas e punhos, a jaqueta de corte reto e a saia simples foram inovações da estilista, o famoso “pretinho básico”.

Sempre ligada às principais correntes artísticas da primeira metade do século 20, dotada para o senso artístico e ela própria uma vanguardista, Chanel exercia influência na classe artística de Paris , era intima de nomes como o compositor Stravinski, cuja a lenda afirma ter se apaixonado por ela, o coreógrafo Diaghilev, a bailarina Isadora Duncan, os artistas Jean Cocteau, Picasso, Salvador Dalí e outros nomes mundialmente célebres. Ao mesmo tempo Chanel tinha livre transito junto mais alto escalão da aristocracia parisiense como seu grande amigo o duque de Westminster.
Curiosamente Chanel sempre gostou de usar muitos acessórios, como colares de correntes ou pérolas de várias voltas, assim ela também introduziu as jóias falsas no mundo da moda, e seus modelos simples, ao alcance da mulher de bom gosto e de poucos recursos, foram muito imitados e confeccionados em mais categorias de preços do que qualquer outra criação da alta-costura.

Com o início da Segunda Guerra em 1939, acreditando que não era uma época propícia para a moda, ela fechou suas lojas e mudou-se para o hotel Ritz. Chegou até a trabalhar como enfermeira na época do esforço de Guerra.  Porém nesta época houve o primeiro abalo em sua imagem, um rumor de seu envolvimento com um oficial nazista, o que lhe custou o exílio. Em 1945, foi para a Suíça, voltando a Paris somente em 1954, ano em que também retornou ao mundo da moda.

Sua nova coleção não agradou aos parisienses, mas foi muito aplaudida pelos americanos, que se tornaram seus maiores compradores. O cardigã, o vestido preto, as pérolas tornaram-se marca registrada do estilo Chanel. A marca Chanel acabou tornando-se um grande império, que inclui bolsas, sapatos, joias, acessórios e perfumes.

Chanel faleceu em sua suíte particular no hotel Ritz, em Paris, aos 87 anos, no dia 10 de janeiro de 1971. No ano de sua morte, ainda trabalhava ativamente, desenhando uma nova coleção. Após sua morte, uma das suítes do Ritz foi rebatizada com seu nome. A estilista está enterrada na Suíça, no cemitério Bois-de-Vaux, onde seu túmulo é facilmente reconhecido pelos cinco leões em alto relevo, que fazem referência ao seu signo.

Mas seu forte legado atravessou o século 20 e mesmo o falecimento do estilista responsável pela marca, em 19 de fevereiro deste ano, o alemão Karl Lagerfeld , o visionário Kaiser da moda, que presidiu a icônica marca criada por Coco Chanel, por mais de três décadas, produzindo até oito coleções por ano para a alegria dos editores de moda, fãs e colecionadores revitalizado o estilo clássico e atemporal criado por mademoiselle fará falta, mas os fãs da marca sabem que a etiqueta continuará.