Deep fakes: são a nova ameaça à informação

Os Deepfakes são um aprofundamento das técnicas de simulação e fraude já existentes nos textos, se as fake news simulam um formato jornalístico, agora os Deepfakes utilizam áudio e vídeo, variando entre reencenações de produtos ficcionais, como filmes de Hollywood, ou simulando eventos como se fossem reais.

É a nova fase das fake news, vídeos em que pessoas aparecem dizendo coisas que não disseram, em lugares onde nunca estiveram por meio de vídeos que manipulam a realidade por meio de tecnologia, sobrepondo o rosto de uma pessoa a outra ou, ainda, emulando vozes, uma nova forma de disseminação de mentiras e até de difamações.

 Nos dois últimos casos, pode ser usado como ferramenta política para fins desonestos. Em uma campanha política, por exemplo, um candidato pode ser mostrado recebendo propinas, agredindo alguém ou ofendendo um outro candidato, ou mesmo um segmento social, o que pode fazer com que alguns eleitores mudem seus votos sem perceber o engodo.

Até pouco tempo, o fenômeno se restringia ao mundo de filmes adultos. Mas, com a criação de novas tecnologias, existe a preocupação entre especialistas de que filmagens falsas possam comprometer também o processo eleitoral e outros aspectos da vida moderna.

O pesquisador Giorgio Patrini, da Universidade de Amsterdã, na Holanda,  explica que de tão forte o impacto de um vídeo falso, a mensagem manipulada tende a ser aceita por quem deseja acreditar nela, mesmo após a comprovação da falsidade. “Os psicólogos nos advertem de duas falácias humanas: a tendência a acreditar em informações falsas após exposição repetida (efeito de verdade ilusório) e a acreditar em informações falsas quando apenas confirmam nossas crenças anteriores.”

O problema é a dificuldade em se descobrir vídeos falsos é a inexistência  de uma técnica desenvolvida para identificar os audiovisuais falsos, e mesmo as técnicas de perícia digital estão muito atrasadas em relação a tecnologia utilizada para a produção das Deepfakes.

No Brasil, dependendo do caso, é possível processar o autor de um Deepfake por injúria e difamação, a criação e veiculação do vídeo mentiroso podem afetar três direitos da pessoa previstos pelo Código Civil brasileiro: os direitos à privacidade, à imagem e à honra. Na prática a vítima de um deepfake  poderia conseguir a remoção do material publicado digitalmente e impedir a publicação futura do material e receber uma indenização por parte do autor da montagem. Isso, porém, estaria na esfera judicial o que pode levar a um processo muito logo, principalmente em relação a vídeos que viralizam de forma rápida e descontrolada na internet.